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Corinthians empata com Vasco e faz festa do hexa em São Januário

Fonte: Helder Júnior, Gazeta Esportiva- Rio de Janeiro, RJ
Data: 20/11/2015 ás 07:08:57
Gazeta Esportiva

Tite já havia deixado no esquecimento o termo “empatite” que marcou o final de sua segunda passagem pelo Corinthians. Na noite desta quinta-feira, contudo, o técnico viu a sua equipe sacramentar a conquista do hexacampeonato brasileiro justamente com um muito festejado empate – 1 a 1 diante do Vasco, agora mais próximo do rebaixamento matemático à Série B, em São Januário.

Com o resultado, o Corinthians passou a somar emblemáticos 77 pontos na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro e evitou ser campeão com uma derrota. O Atlético-MG, único time que ainda poderia impedir a conquista, ficou com 65 ao perder por 4 a 2 para o São Paulo, no Morumbi, e não teria condições de ultrapassar o líder independentemente do placar em São Januário. O Vasco só soma 34 e é o penúltimo colocado.

Em sua luta para justificar os gritos de “eu acredito”, o time de Jorginho até chegou a entusiasmar, apesar da expulsão de Rodrigo, com um gol de Júlio César no segundo tempo. Coube a Vagner Love, ex-morador da região de São Januário e flamenguista na infância, acabar com as esperanças locais.

Vitorioso novamente no estádio onde ganhou a alcunha de “campeão dos campeões”, em uma disputa de 1929 com o Vasco, o Corinthians soma a conquista de 2015 àquelas de 1990, 1998, 1999, 2005 e 2011, a última delas também sob o comando de Tite. No domingo, tentará ampliar as celebrações no clássico com o São Paulo, em Itaquera. O Vasco fará confronto de desesperados com o lanterna Joinville no mesmo dia, fora de casa.

O jogo – O meio-campo em São Januário estava tão congestionado quanto os acessos ao estádio. Se era difícil superar a qualidade técnica do líder Corinthians, como evidenciavam os mais de 40 pontos de diferença na tabela de classificação, o Vasco pretendia satisfazer a sua torcida com uma marcação agressiva e determinação.

Nos primeiros minutos, a estratégia surtiu efeito. O Vasco forçou uma série de erros de passe do Corinthians. À distância, no longínquo banco de reservas posicionado atrás de um dos gols, o técnico Tite estava protegido de eventuais cusparadas de torcedores (como ocorreu contra o Atlético-MG), porém não tinha voz para ajustar as já tradicionais triangulações da sua equipe.

Para piorar, alguns jogadores do Corinthians aparentavam partilhar do nervosismo que acomete o Vasco. Felipe fazia lembrar aquele contestado zagueiro do início do ano, inseguro na marcação e sem saída de jogo. Já Edílson fazia lembrar aquele contestado lateral de quase todo o ano.

No Vasco, a quantidade de atletas que causam preocupação nos torcedores é sensivelmente maior. O que não impedia o público local de acreditar, conforme berrava quase a cada dez minutos. Aos 15, após uma dessas manifestações, Rafael Silva apareceu livre do lado esquerdo da área e parou em boa intervenção do goleiro Cássio.

O lance de perigo fez a torcida vascaína se entusiasmar. Tanto que se frustrou, extravasando com vaias, quando Riascos recuou do ataque para a defesa com a bola nos pés. Incomodado, o colombiano não se intimidou em se virar às arquibancadas e gesticular para pedir calma.

Pouco depois, o próprio Riascos fez uma boa jogada na linha de fundo direita, inesperada para ele mesmo. “Até quando acerta, ele erra!”, berrou um vascaíno mais exaltado, com um sorriso de irritação no rosto ao ver o atleta completar mal a iniciativa de driblar.

Sempre paciente, o Corinthians cadenciava o jogo para fazer o Vasco se enervar de vez. Não chegava a dar trabalho ao goleiro Martín Silva, mas também só era assustado por suas próprias falhas. Como quando Cássio saiu mal do gol em cobrança de escanteio e permitiu que Rodrigo cabeceasse a bola por cima da meta já na metade final do primeiro tempo.

Ao término da etapa inicial da partida, as vaias de parte dos vascaínos foram encobertas por aplausos, em demonstração de apoio. No setor visitante de São Januário, os corintianos cantavam e agitavam bandeiras como se a partida ainda estivesse em andamento. Com a tranquilidade de quem sabia da iminência do título.

Ainda assim, o Corinthians precisava “jogar mais”, como disse Gil ao descer para o vestiário. Um dos comandados de Tite que defenderam a Seleção Brasileira nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, ele se sentia bem fisicamente. Ao contrário de Renato Augusto, que caía com frequência e saiu no princípio do segundo tempo, substituído por Rodriguinho.

No Vasco, Jorginho apostou no ex-corintiano Jorge Henrique na vaga de Rafael Silva. E sofreu um baque aos 16 minutos, quando Rodrigo ergueu demais o pé, acertou o rosto de Malcom e acabou expulso. O remédio foi trocar Diguinho por Rafael Vaz e conformar-se com a pressão que estava por vir.

Com um jogador a mais em campo – e ciente de que os gols saíam um atrás do outro no Morumbi, no duelo entre São Paulo e o concorrente Atlético-MG -, o Corinthians se lançou ao ataque. O que abriu espaços para o Vasco surpreender a melhor defesa do Campeonato Brasileiro.

Aos 26 minutos, Júlio César tabelou com Nenê pela esquerda e concluiu na saída de Cássio, sob as pernas do goleiro, para sacudir a rede. Era o que faltava para o ambiente se tornar completamente festivo entre os vascaínos – com direito ao abraço de um torcedor em um policial militar e à explosão de um rojão nas arquibancadas.

Entre os torcedores do Corinthians, havia timidez para comemorar o título, mesmo com a derrota do Atlético-MG para o São Paulo, em função do resultado negativo. Tite tentou mudar a situação com Bruno Henrique e Lucca nos lugares de Ralf e Elias. Mas coube a outro atleta complementar a festa do time hexacampeão.

Aos 36 minutos, Lucca escorou a bola para o meio da área após cruzamento de Edílson. Vagner Love, ex-morador dos arredores de São Januário, flamenguista na infância e revelado pelo Palmeiras, empurrou pelo alto para o gol para entrar na história do Sport Club Corinthians Paulista, hexacampeão brasileiro.

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