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Coronel revela que desembargador pediu grampo em 5 magistrados de MT

Siqueira conta que Perri fez solicitação de quebra de sigilos de próprio punho

Fonte: PABLO RODRIGO Diário de Cuiabá
Data: 06/07/2017 ás 09:04:09
Reprodução Folha Max

O secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), coronel Siqueira Júnior declarou em seu depoimento junto ao Inquérito Policial Militar – IPM, que o desembargador Orlando Perri mandou “grampear” telefone do desembargador aposentado José Ferreira Leite e os juízes Marcelo Barros, Antônio Horácio, Irênio Lima Fernandes e Marco Aurélio Ferreira para investigar supostos desvios de recursos do Tribunal de Justiça (TJMT) para a Loja Maçônica Grande Oriente de Mato Grosso. A arapongagem teria ocorrido em 2007 e sob a responsabilidade do próprio Siqueira.

Na época, Perri atuava na Corregedoria-Geral do TJ e Siqueira atuava na Coordenadoria de TI do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). “Fui chamado pela Procuradora de Justiça Eliane Maranhão Ayres, responsável pela coordenação do Gaeco àquela época; que a Procuradora Eliane Maranhão me informou que o desembargador Orlando Perri estava realizando uma investigação altamente sigilosa e extremamente delicada, que envolvia várias autoridades do Poder Judiciário”, diz trecho da declaração registrada no Cartório 4º Ofício de Cuiabá no dia 29 de junho e anexada ao depoimento prestado nesta quarta-feira ao coronel Jorge Catarino, responsável pelas investigações no âmbito da Policia Militar e que o Diário teve acesso com exclusividade.

O coronel ainda disse que Perri emitiu os mandados de quebra dos sigilos telefônicos escrito de próprio punho e que entregou todo o relatório das interceptações ao próprio desembargador. Porém, Siqueira diz que as informações tiradas dos grampos não tinha nenhuma ligação com as investigações sobre desvios de recursos do TJ. “Lembro-me que as informações coletadas das conversas telefônicas dos magistrados investigados não interessavam às investigações, tratando-se em sua grande maioria de assuntos pessoais e da intimidade dos mesmos”, explicou em outro trecho do depoimento.

Siqueira Júnior também disse em seu depoimento, que durou quase quatro horas, na tarde de hoje, que só ficou sabendo da “história dos grampos” em outubro de 2015, por conta do então secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque. “Vocês fizeram merda no governo, vocês interceptaram deputados, jornalistas e advogados e o governador está muito aborrecido, e irá exonerar você, o Cel PM Zaqueu, Paulo Taques e o Cel PM Lesco”, teria dito Mauro Zaque em sua residência ao coronel Siqueira.

CONVERSA GRAVADA

Porém, Siqueira alegou que não sabia do assunto e desconfiou que Mauro Zaque estava gravando a conversa. Siqueira também disse que não pediria demissão e que não deixaria a promoção que tinha acabado de ganhar e que sairia pela porta da frente. “Que o informante tinha sido agraciado com uma promoção ao último posto e disse que somente sairia dali, para casa, para a cadeia ou para o buraco. Que o cargo de secretário chefe da Casa Militar é de livre nomeação e exoneração do governador e do mesmo jeito que entrou, sairá pelas portas da frente; Que disse ‘eu quero ser investigado’”, diz trecho do depoimento, afirmando que o coronel Zaqueu também participou da conversa.

Siqueira ainda disse que Zaque ainda insistiu que os dois pedissem demissão e que ele deixaria o assunto “morrer ali”. Por fim Siqueira disse que as denúncias que vem sofrendo seria por conta de “vingança” por parte do ex-secretário e promotor de justiça Mauro Zaque. “Essas denúncias em seu desfavor estão correndo por três motivos: 1) Como instrumento de chantagem quando o Dr. Mauro Zaque pediu ao informante o seu cargo; 2) como instrumento de interesse político escuso, uma vez que os assuntos de escuta, e, até então sigilosos, se tornaram públicos em plena campanha”, disse Siqueira ao final do depoimento.

Atualmente o desembargador Orlando Perri é o responsável pelas investigações das interceptações telefônicas clandestinas no Tribunal de Justiça. A nossa reportagem entrou em contato com o desembargador, porém ele não atendeu e nem retornou as nossas ligações.

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