Acrimat em Ação flagra abandono das estradas em Mato Grosso
Estradas esburacadas, pontes destruídas e falta de estrutura são os principais problemas
Mais de 1,3 mil produtores rurais participaram da 3ª Rota do ‘Acrimat em Ação 2014’ nas regiões do Arinos e Noroeste de Mato Grosso. A expedição passou por sete municípios com a palestra ‘Eficiência produtiva e econômica na bovinocultura de corte a pasto’ e registrou os principais problemas que afligem a população e o setor produtivo, como a falta de infraestrutura logística. Ao todo, 21 municípios já foram visitados durante a 4ª edição do maior programa itinerante da pecuária de corte no Estado.
A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) realiza este projeto há quatro anos a fim de levar informações técnicas de qualidades aos pecuaristas mato-grossenses e coletar as demandas de quem produz no campo. Mais uma vez, infraestrutura logística foi o principal problema encontrado. Nas regiões Arinos e Noroeste foram registrados casos de obras inacabadas, estradas abandonadas e intransitáveis e uma balsa que é traçada por caminhões para poder fazer a travessia.
As situações encontradas impedem o desenvolvimento dos municípios que produzem alimento. O diretor de Relações Públicas da Acrimat, Luiz Fernando Conte, revela que em seu município, Juara, o pecuarista vivencia um momento oportuno com a valorização da arroba, mas que não pode usufruir disso. “Aqui na região do Arinos, em alguns municípios, houve produtor que estava com o produto pronto para ser entregue ao frigorífico, mas não conseguiu transportar devido aos abando das estradas. Precisamos levar isso ao conhecimento de todos”, afirma ao citar o Acrimat em Ação como uma ferramenta para reivindicar melhores condições para produzir.
E conforme a equipe técnica da Acrimat se distanciava da Capital, os problemas se agravavam. Em Aripuanã (a 1.002 km de Cuiabá) o acesso é somente por estrada sem pavimentação e com isso o custo de produção é alto e há desvalorização do que produzido. O vice-presidente, Júnior Dal Piaze afirma que tanto as estradas estaduais quanto as municipais estão sem manutenção. “Temos mais de 3.500 km de estradas e não há recursos para fazer a recuperação das estradas. Com isso os pecuaristas não têm acesso adequado às plantas frigoríficas, amarga o prejuízo do frete e aumenta o investimento para produção”.
Na BR 174, devido uma ponte ter sido levada pela correnteza, a travessia do rio Canamã para chegar em Colniza é feita por uma balsa improvisada e há fila de espera para fazer a passagem. A população é exposta a uma situação risco, uma vez que a balsa é traçada por caminhões para conseguir fazer o traslado do rio. A estudante Rosane Sonibaldo mora em Nova União, depois de Colniza, e faz faculdade em Juína. Ela revela que estava há quatro dias fora de casa devido às condições da estrada e da balsa. “Estou com o meu filho sem ter como voltar para casa. Espero conseguir fazer a travessia hoje para tentar chegar em Nova União”.
O caminhoneiro Francisco Bispo do Carmo transportava gado quando uma parte do caminhão quebrou e três animais morreram durante o percurso. “Isso é prejuízo pra mim, para o pecuarista e para o comprador do gado. A estrada é ruim, a balsa está nesta condição e o resultado é esse, o animal morre, a carreta quebra. Até chegar em São José dos Quatro Marcos ainda terei mais prejuízos”. O depoimento de Francisco foi dado enquanto ele retirava os animais mortos da carreta e deixava ao longo da BR 174. Menos de cinco quilômetros depois deste flagrante, outro gado jogado na pista denunciava que outro caminhoneiro passou pela mesma situação.
O vice-presidente da Acrimat, Jorge Basílio, é pecuarista na região Noroeste e afirma que produzir na região é desafio muito grande devido à falta de infraestrutura logística. “Nossas estradas são péssimas, precisamos de ações como as da Acrimat para denunciar a situação e cobrar a atuação do poder público. Estamos trabalhando pelo produtor para que ele tenha condições de continuar trabalhando no Estado e pelo Estado”.
‘Acrimat em Ação 2014’ inicia sua última rota no próximo dia 13 de maio e realiza evento em Contriguaçu (13), Nova Monte Verde (14), Apiacás (15), Alta Floresta (17), Guarantã do Norte (19), Marcelândia (20), Sinop (21) e São José do Rio Claro (22). O encerramento acontece em Cuiabá, no dia 26 de maio.
PARCERIAS
Para realizar o ‘Acrimat em Ação 2014’, a Acrimat contou com a parceria de empresas que acreditam no projeto e na atividade como fonte de renda, oportunidade de emprego e produção de alimentos para o mundo. São elas Dow Agroscience; JBS; BVRio e Trescinco e Ariel.
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