NOTÍCIA | PROPINA DE R$ 2,5 MILHÕES

Audiência de Riva é adiada; ex-deputado não fala sobre propina de R$ 2,5 mi

Defesa de ex-deputado não se pronuncia sobre acusações de dono da Consignum

Por: CARLOS DORILEO - Folha Max
Publicado em 24 de Março de 2016 , 17h22 - Atualizado 24 de Março de 2016 as 17h22


A juíza Selma Rosane Santos Arruda, da 7ª Vara Criminal, adiou audiência de instrução referente a “Operação Imperador”, que apura desvio de R$ 62 milhões na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Nesta quarta-feira, seria ouvido o deputado federal Ezequiel Fonseca (PP).

Com a ausência da testemunha, que tem prerrogativa de agendar seu depoimento, a magistrada disponibilizou três datas para que ele seja ouvido. O deputado optar por depor entre os dias 26, 27 ou 28 de março.

Presente na audiência, o ex-deputado José Riva evitou falar com a imprensa. Ele é acusado de ser o mentor e maior beneficiário do esquema. Riva ficou preso entre fevereiro e junho por conta das fraudes, mas voltou a prisão em outubro em decorrência da “Operação Metástase”.

De acordo com a denúncia, a Assembleia simulava a compra de materiais de expediente e papelaria para atender suas necessidades. No entanto, os produtos não eram entregues apesar do pagamento.

Além do ex-deputado, outras 15 pessoas, entre servidores do legislativo e empresários também foram denunciadas.

SODOMA 3

Nesta quarta-feira, o ex-deputado teve seu nome citado na terceira fase da “Operação Sodoma”. Em colaboração com a Justiça, o empresário Willians Paulo Mischur declarou que repassou R$ 2,5 milhões ao ex-deputado referente a uma dívida de campanha do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

Segundo Mischur, o repasse era referente a propina do contrato entre a empresa Consignum e o Governo do Estado. As declarações dele resultaram na 3ª fase da “Operação Sodoma”, que levaram a prisão os ex-secretários Pedro Elias Domingos, José Nunes Cordeiro e Sílvio César Correa Araújo. Silval Barbosa, que já estava detido, teve um novo decreto prisional.

Representante de Riva, o advogado Rodrigo Mudrovitsch afirmou que não pode comentar a denúncia pois teve conhecimento pela imprensa. “Não fomos intimados, não tivemos acesso, tão logo nós tenhamos prestaremos todos os esclarecimentos”, disse.

O jurista adiantou que irá ao Ministério Público e ao judiciário solicitar acesso a esta denúncia. “Não posso precisar nada, porque não conheço esse senhor, não sei em qual contexto ele mencionou meu cliente”, assinalou.

Por fim, o advogado comentou que aguarda a concessão de um habeas corpus para o ex-deputado. Ele afirmou que dois pedidos estão em análise no STF (Supremo Tribunal Federal). “Entendemos que não há mais razão para prisão porque a instrução já se encerrou. As testemunhas de acusação já foram ouvidas e já há algumas decisões do Supremo de que a soltura dele não representam mais riscos a ordem pública”

Outro pedido de revogação da prisão será feito na próxima segunda-feira, quando o ex-deputado prestará depoimento na “Operação Metástase”. “Se um dos era a garantia da instrução, ele sendo interrogado não há razão mais para que se proceda a manutenção de uma prisão que já dura alguns meses. Também há o distanciamento temporal dos fatos”, completou.

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