NOTÍCIA | Oitivas

Deputado diz que Assembleia bancou de "velório a formatura"

Ex-presidente José Riva é acusado de desviar R$ 61 milhões dos cofres do Legislativo

Por: CAMILA RIBEIRO E LUCAS RODRIGUES - Mídia News
Publicado em 29 de Maio de 2015 , 08h14 - Atualizado 29 de Maio de 2015 as 08h14


A Justiça retomou, na tarde desta quinta-feira (15), as oitivas das audiências de instrução e julgamento da ação penal na qual o ex-deputado José Riva (PSD) é acusado de liderar um suposto esquema de desvio de R$ 61 milhões dos cofres da Assembleia Legislativa, entre os anos de 2005 e 2009.

 
O deputado estadual Romoaldo Júnior (PDB) - que presidiu a Casa no período em que Riva esteve afastado – afirmou, em seu depoimento, que a Assembleia realizava uma série de serviços que não eram de sua competência. 
 
Durante audiência presidida pela juíza da 7ª Vara de Combate ao Crime Organizado, Selma Rosane, o deputado disse que esses serviços que passaram a ser prestados pela Casa teriam contribuído para os gastos elevados do Legislativo. 
 
"Eu acho que a Assembleia fez um papel que não era dela. O papel dela era só legislar, mas aí começou a querer atender todo mundo e a demanda foi crescendo. A AL fornecia passagens e, se morria alguém, a Casa fornecia caixão. Tudo que se pedia era atendido", afirmou. 
 
Ao ser questionado pelo membro do Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), promotor Marco Aurélio, sobre os “mimos” que eram ofertados pela Assembleia, Romoaldo disse que eles eram pagos com a verba indenizatória recebida pelos parlamentares. 
 
“Muitos deputados usaram verba indenizatória até para fazer formatura. No passado a gente fazia muito apoio da área de assistência social. Não é permitido, mas até hoje a Assembleia faz isso”, disse. 
 
Ainda em seu depoimento Romoaldo comentou sobre o fato de, mesmo estando afastado da presidência, o ex-deputado José Riva ter continuado a despachar no gabinete do presidente. 
 
"Fui até o (Orlando) Perri [presidente do Tribunal de Justiça] uma vez, pois estava perdido. Não sabia se o Riva estava afastado, se já tinha voltado. No gabinete haviam tirado a foto dele. A imprensa cobrava que eu ficasse no gabinete, fiquei até com vontade de despejá-lo. Mas aí, ele conseguia decisão favorável para voltar", disse o parlamentar. 
 
"Mas, como ele não se intrometia na minha administração, continuei em meu gabinete e não no da presidência", justificou. 
 
Oitivas 
 
Além de Romoaldo, prestaram depoimento o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e ex-deputado estadual, Sérgio Ricardo, e os deputados Guilherme Maluf (PSDB) e Mauro Savi (PR). Todos, na condição de testemunha de defesa do ex-presidente da Assembleia. 
 
Ao final da audiência, a defesa de Riva,  que está preso no Centro de Ressocialização da Capital desde o dia 21 de fevereiro – pediu a revogação da prisão. 
 
A juíza Selma Rosane, por sua vez, disse que irá aguardar o Ministério Público Estadual (MPE) se manifestar, para somente depois proferir sua decisão.
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JUARA MATO GROSSO



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