NOTÍCIA | Depoimento

Ex-vereador depoe sobre venda de sentença para traficantes em Mato Grosso

João Emanuel é acusado de liderar esquema para beneficiar família.

Por: Pollyana Araújo Do G1 MT
Publicado em 02 de Dezembro de 2014 , 08h07 - Atualizado 02 de Dezembro de 2014 as 08h07


Ex-presidente da Câmara de Cuiabá, o vereador cassado, João Emanuel Moreira Lima (PSD), prestou depoimento à Justiça nesta segunda-feira (1º) sobre suposta intermediação para a compra de sentença em favor de uma família acusada de tráfico de drogas.

 

A audiência com a juíza Selma Rosane dos Santos Arruda estava marcada para começar às 15h [16h no horário de Brasília], na Vara Especializada Contra o Crime Organizado, Ordem Tributária, Econômica e Administração Pública, no Fórum da capital. As ofertas feitas a um assessor jurídico da Vara do Crime Organizado para ajudar em decisão para libertar traficantes seriam de até R$ 1,5 milhão, conforme denúncia do Ministério Público Estadual (MPE).


O G1 telefonou para o ex-parlamentar para que ele pudesse se manifestar sobre o assunto, mas ele não atendeu e não retornou as ligações até a publicação desta reportagem.

 

Essa é a primeira vez que ele deverá ouvido pela Justiça sobre o suposto esquema que resultou na Operação Assepsia, deflagrada pelo Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em abril do ano passado. As testemunhas de defesa e acusação já foram ouvidas, como consta no processo.


Nessa ação, figuram como réus outras 15 pessoas, entre elas seis membros dessa família de traficantes que teria sido solta após decisão da Justiça. João Emanuel é acusado pelo Ministério Público Estadual de ter contratado um estudante de direito para compar uma decisão judicial favorável a esses supostos traficantes.


Na ação, o MPE aponta que João Emanuel era quem comandava as ações do estudante de direito. Ele o teria orientado a cooptar o assessor da Vara do Crime Organizado para que redigisse minuta de decisão favorável à soltura dos traficantes, mediante o pagamento de vantagem financeira.


O universitário abordou e ofereceu dinheiro para o assessor, revelando também que o advogado responsável pela empreitada criminosa era o denunciado João Emanuel, conforme transcrição de gravação de conversa ambiental já constante dos autos, segundo trecho da denúncia.


Durante as investigações e escutas interceptadas pela Polícia Federal, o parlamentar pleiteava vaga de vereador. Conforme a ação, diligências feitas pela PF demonstraram envolvimento do ex-presidente da Câmara de Cuiabá no esquema criminoso.


Um dos exemplos dessa participação foi uma escuta telefônica no dia 1º de agosto do ano passado, onde outro acusado de integrar a organização entrou em contato com o proprietário de um posto de combustível de Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, questionando se já poderiam ir até o posto. A resposta foi no sentido de que só esperavam o parlamentar para se dirigir ao local combinado.


O filho do traficante teria ajudado o pai na suposta contratação de João Emanuel e do estudante de direito para que tentassem corromper servidores do Poder Judiciário, assessores e juízes, visando a liberação dos membros dessa família acusada de tráfico.


O crime passou a ser investigado após um assessor jurídico contar ao juiz titular da Vara, José Arimatéia Neves Costa, que estava incomodado com o assédio que vinha sofrendo por parte de um advogado, de um bacharel em direito e até de um servidor do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O magistrado então o aconselhou a denunciar o crime ao Gaeco, como consta no inquérito do MPE.


Tres membros da família de fazendeiros acusada de tentar comprar as decisões foram condenados pela Justiça, no ano passado, por tráfico interestadual de drogas, juntamente com outros dois membros de outra família de Minas Gerais. Somadas, as penas chegam a 64 anos de prisão. A organização criminosa atuava na fronteira com a Bolívia, já que uma das famílias morava em Porto Esperidião, a 358 quilômetros de Cuiabá, na divisa com o país vizinho.

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JUARA MATO GROSSO



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