Protesto estudantil termina com estudantes baleados por PM e outros detidos
Protesto estudantil termina com estudantes baleados por PM e outros detidos
Terminou em conflito com a Polícia Militar e cerca de 10 universitários feridos com balas de borracha, o protesto de estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) na tarde desta quarta-feira (06) promovido para contestar uma decisão da instituição em reduzir as vagas de assistência estudantil ofertadas através das Casas de Estudantes Universitários (CEU’s).
Participantes do manifesto afirmam que um policial da Rondas Ostensivas Tática Móvel (Rotam) agiu com truculência e atirou à queima-roupas em vários estudantes que participavam do movimento bloqueando o tráfego na Avenida Fernando Corrêa da Costa.
De acordo com a estudante Joellen Quim, o policial não quis fornecer o nome e fez várias ameaças a ela e outros participantes.
´Ele ameaçou a todos afirmando que quando saísse da delegacia iria nos tratar como merecemos, como ele trata vagabundos´, relata a jovem que cursa Licenciatura em Música.
Ela garante ainda que o mesmo policial agrediu uma jovem que assistia ao protesto sem participar ativamente.
´Quando eles vieram pra cima da gente, a menina caiu. Dai ele chegou perto dela e atirou na região da virilha dela´, denuncia a estudante.
Um grupo de pelo menos 6 estudantes que lideravam o movimento acabou detido e levado para o Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do Planalto para registrar boletim de ocorrência.
Entre eles estão o líder estudantil, Caiubi Kuhn, um dos principais articuladores do protesto via rede social. Parte dos cerca de 10 feridos foi levada para atendimento no Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá.
Os estudantes estão revoltados, pois afirmam que foram agredidos quando estavam saindo do local a pedido da Polícia Militar.
Segundo a universitária, no local haviam 5 viaturas, entre elas 2 da Rotam e outras 2 da Polícia de Trânsito.
Um helicóptero do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) também foi acionado para monitorar o andamento da ocorrência.
Mas ela ressalta que apenas um policial da Rotam agrediu o grupo de manifestantes. Ainda de acordo com Joellem, cerca de 40 pessoas participaram do manifesto articulado por meio do Facebook.
Os estudantes foram baleados com balas de borrachas em várias partes do corpo, inclusive na cabeça, rosto e pescoço.
A concentração começou às 13h30 no Restaurante Universitário (RU) da UFMT e após percorrerem diversos setores da instituição, os manifestantes foram para a avenida Fernando Corrêa e bloquearam o trânsito, mesmo sem o apoio da Polícia.
A estudante Joellen Quim relata que no início, alguns condutores avançavam sobre os alunos, o que quase resultou em pelo menos 2 atropelamentos.
Após uns 15 minutos, equipes da Polícia de Trânsito chegaram ao local para controlar a situação.
A Rotam chegou depois e determinou que os manifestantes liberassem a avenida em menos de 10 minutos.
Na versão da estudante, eles foram agredidos no momento em que se dispersavam para finalizar o protesto.
´O policial agiu com muita truculência e arrogância. Ele atirou nos estudantes a menos de meio metro de distância, à queima-roupa´, garante a jovem que diz ter sido ameaçada por ele ao tentar descobrir seu nome .
No protesto, os universitários usaram pedaços de madeira e cones de construções para interditar a avenida.
Também usavam faixas e cartazes se posicionando contra o fechamento de 5 Casas de Estudantes Universitários da UFMT e também cobravam outras melhorias no ambiente acadêmico.
O Gazeta Digital apurou que o coordenador da ação policial foi o capitão Gilson Vieira da Silva.
Mas ele disse que não poderia falar com a reportagem por estar prestando informações sobre o fato no Cisc do Planalto. A Polícia Militar ainda não se manifestou sobre o caso.
A UFMT também não se pronunciou, ainda, sobre o protesto que terminou com universitários feridos.
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