NOTÍCIA | CASO RENATO NERY

STJ derruba decisão do TJMT e manda prender PMs acusados de forjar confronto em Mato Grosso

Confronto simulado teria como finalidade ocultar localização da arma que matou o advogado Renato Nery, em julho de 2024

Por: GIOVANA GIRALDELLI DA REDAÇÃO - Mídia Jur
Publicado em 18 de Fevereiro de 2026 , 10h21 - Atualizado 18 de Fevereiro de 2026 as 18h18


Reprodução

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o restabelecimento da prisão preventiva de quatro policiais militares denunciados por homicídio qualificado consumado e duas tentativas de homicídio em Mato Grosso. A decisão é da ministra Maria Marluce Caldas e foi assinada no último dia 11 de fevereiro.

A medida atinge Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alesandro Medeiros Ramos e Wekcerlley Benevides, que haviam sido soltos por decisão da Justiça estadual mediante aplicação de medidas cautelares, como recolhimento domiciliar noturno e proibição de contato com testemunhas. O Ministério Público de Mato Grosso recorreu ao STJ, sustentando que a liberdade dos acusados representava risco à ordem pública e à instrução criminal.

De acordo com a denúncia, os policiais são acusados de matar Walteir Lima Cabral e de tentar executar Pedro Elias Santos Silva e Jhuan Maxmiliano de Oliveira. As investigações apontam que o grupo teria simulado um confronto armado para justificar a posse de uma pistola Glock calibre 9 milímetros.

A perícia balística indicou que a arma estaria vinculada ao assassinato do advogado Renato Gomes Nery, ocorrido em 5 de julho de 2024, além de apresentar indícios de uso em outro homicídio registrado em 2022. Também há suspeita de utilização de munição da própria Polícia Militar.

Ao analisar o caso, a ministra entendeu que estão presentes os requisitos para a decretação da prisão preventiva. Para a relatora, a gravidade concreta dos crimes, o suposto planejamento da ação, a possível atuação organizada e a periculosidade dos agentes demonstram risco real à ordem pública.

A decisão também destaca a necessidade de preservar a instrução processual, especialmente diante da possibilidade de intimidação das vítimas sobreviventes e de testemunhas. Segundo a ministra, as medidas cautelares impostas anteriormente se mostraram insuficientes diante da complexidade e da repercussão dos fatos.

O entendimento do STJ reformou a decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que havia revogado a prisão sob o argumento de ausência de fatos novos e da existência de condições pessoais favoráveis dos réus, como residência fixa e vínculo de trabalho.

MORTE DE RENATO NERY

O advogado Renato Nery, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso, foi alvo de atentado na manhã de 5 de julho de 2024, quando foi baleado ao chegar ao próprio escritório, na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá. Nery chegou a ser socorrido e passou por cirurgia, mas morreu na madrugada de sábado (6/07/2024).

Segundo as investigações, o crime teria sido motivado por uma disputa de terras envolvendo a Fazenda Atlântida, localizada no município de Novo São Joaquim (439 km de Cuiabá). O casal de empresários de Primavera do Leste, Cesar Jorge Sechi e sua esposa Julinere Goulart, está preso e é apontado como mandante do assassinato.

Para executar o crime, o casal contratou o PM Jackson Pereira Barbosa, vizinho deles, que por sua vez intermediou a contratação de outro policial: Heron Teixeira Pena Vieira, que confessou o crime.

Heron pagou ao caseiro de sua chácara, Alex Roberto de Queiroz Silva, para ser o atirador. Alex é o motoqueiro que atira em Renato Nery. Heron confessou toda a trama e os mandantes, informando que o crime foi combinado com o casal pelo valor de R$ 150 mil.

Auto Posto Arinos LTDA
Exatas Contabilidade
Sicredi
Soluti - Exatas Contabilidade

JUARA MATO GROSSO



MAIS NOTÍCIAS


Interessado em receber notícias em seu e-mail?
Nós o notificaremos e prometeremos nunca enviar spam.


2002 - 2026 © showdenoticias.com.br