NOTÍCIA | 5G

Agência Brasil explica: o que é a tecnologia 5G

Novo padrão começa a ser adotado em alguns países este ano

Por: Jonas Valente – Repórter Agência Brasil
Publicado em 30 de Março de 2020 , 08h03 - Atualizado 30 de Março de 2020 as 08h06


Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A tecnologia 5G é um novo padrão para dispositivos móveis que trará mudanças tanto quantitativas quanto qualitativas na forma como as pessoas utilizam esses aparelhos, permitindo novas funcionalidades e um incremento significativo do número e da velocidade das conexões.

O padrão sucessor do 4G começa a ser adotado neste ano em alguns países do mundo. No Brasil, o governo vai realizar um leilão para selecionar as operadoras que ficarão responsáveis pela oferta do serviço de conectividade utilizando essa tecnologia e em que áreas deverão atuar.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu consulta pública para receber contribuições ao edital de licitação das faixas de frequência para a oferta de serviços móveis baseados em 5G. Ela ficará aberta a comentários até o dia 17 de abril.

A Agência Brasil explica o que é a tecnologia 5G e que tipo de mudanças ela pode trazer para usuários, instituições, empresas e para o setor de telecomunicações como um todo.

O que é a tecnologia 5g?

De acordo com a União Internacional de Telecomunicações, o 5G, ou quinta geração da telefonia móvel, é uma nova tecnologia de transporte de dados em redes envolvendo dispositivos móveis. Ele sucede gerações anteriores, mas autoridades e especialistas apontam que terá melhorias não apenas incrementais, mas qualitativas.

Enquanto a tecnologia 1G tinha velocidade de 2kbit /s e o 4G garantia tráfego de 1 Gbit /s, o 5G terá velocidade para baixar informações de até 100 1 Gbit /s. Enquanto a latência (diferença na resposta na transmissão de dados) era de 60-98 milissegundos no 4G, no 5G ela será reduzida para menos de 1 milissegundo.

Já a capacidade de conectar dispositivos poderá abranger até 1 milhão de aparelhos por quilômetro quadrado.

Quais são as características dessa tecnologia?

O 5G significa um avanço em relação aos padrões anteriores em uma série de aspectos:

- Permite mais dispositivos conectados, o que está se tornando necessário diante do crescimento da chamada “Internet das Coisas”, com o crescimento da comunicação máquina a máquina;

- Aumenta a velocidade de conexão, permitindo um consumo de serviços mais complexos com menos dificuldade, como a transferência de arquivos, comunicações em tempo real, o consumo de vídeos e áudios em tempo real (streaming) ou os jogos eletrônicos;

- Diminui a reposta da conexão (latência), melhorando e contribuindo para que os dispositivos móveis tenham uma conexão que permita aplicações em tempo real ou que demandam trocas de informação de forma rápida;

- Tem maior capacidade de banda, o que é importante diante do aumento de informações que são publicadas e circulam na internet, seja a criação de mais conteúdos ou a melhoria da qualidade, como no áudio ou na definição em vídeo;

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o 5G é mais do que apenas uma melhoria das gerações anteriores. “As redes móveis 5G proporcionarão serviços avançados de banda larga móvel, com taxas de dados mais altas, menor latência e mais capacidade, que possibilitarão enorme potencial para novos serviços sem fio de valor agregado”, diz no documento  sobre a estratégia brasileira para a tecnologia, colocado em consulta pública no ano passado.

Quais são os benefícios que o 5G pode trazer?

A União Internacional de Telecomunicações (UIT), em documento sobre o tema, argumenta que o 5G pode ajudar as pessoas a aproveitarem os benefícios de uma “economia digital avançada e intensiva em dados”, irá contribuir na implantação das chamadas “cidades inteligentes” e permitirá um incremento na experiência online pelas novas aplicações que suportará e pelas maiores velocidades.

“O 5G provê uma oportunidade para operadoras moverem além de ofertar serviços de conexão, desenvolvendo ricas soluções e serviços para consumidores e indústrias em um rol variado de serviços, e a um custo acessível”, ressalta a UIT no documento “Definindo o cenário para o 5G: oportunidades e desafios”, destaca a entidade.

O 5G poderá dar suporte a diversos tipos de aplicações benéficas. Elas vão desde os sistemas de pagamento até a viabilização de carros autônomos (que funcionam sem motoristas), bem como outras soluções de Internet das Coisas envolvendo sensores e monitoramento em fábricas ou sem serviços públicos (como acompanhamento de consumo de água ou de lâmpadas de postes).

Na avaliação do MCTIC, a tecnologia poderá contribuir também na produção. “O 5G será um componente chave para o aumento da troca desembaraçada de dados entre máquinas, instalações, humanos e robôs, o que permitirá o desenvolvimento de uma logística inteligente, produção conectada de sistemas cyber-físicos e de comunicação máquina a máquina. A combinação dessas e de outras tecnologias digitais no setor secundário possibilita o avanço industrial conhecido como ‘Indústria 4.0’”, assinala o órgão no documento de consulta pública sobre a estratégia para o 5G, realizada no ano passado. 

Quais são as perspectivas para essa nova tecnologia?

De acordo com a associação mundial das empresas que atuam no segmento móvel, a GSMA, a expectativa é que até 2025 haja 1,2 bilhão de conexões 5G no mundo. Em alguns países ela já passou a ser adotada, como nos Estados Unidos, na Austrália, China, Finlândia, no Reino Unido, na Coreia do Sul e Áustria.

Segundo estudo da GSA, das operadoras investindo em 5G, 42% são da Europa, 23% são da Ásia, 11% são do Oriente Médio, 8% são da América Latina e Caribe, 7% são da América do Norte, 5% são da Oceania e 4% são da África.

Quando o 5G será implantado no Brasil?

Não há data certa. A Anatel precisa concluir a consulta pública e definir o edital, para que empresas interessadas em prestar o serviço possam se inscrever na disputa. A previsão já apresentada por autoridades indica a realização do leilão no fim de 2020. Após a realização do certame, as empresas terão as faixas de frequência para explorar serviços baseados na tecnologia, e caberá a elas fazer o lançamento desses serviços.

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