Juara: a cidade que mais desmata seu próprio futuro.
Até quando vamos conviver com esse tipo de descaso com nosso meio ambiente.
O final de semana trouxe uma chuva inesperada para Juara e outras cidades do Vale do Arinos, quebrando a estiagem típica de agosto e trazendo alívio momentâneo à população que sofre com o calor intenso e a baixa umidade do ar.
Mas, por aqui, o problema vai muito além da falta de chuva: Juara carrega o título nada honroso de cidade com maior desmatamento urbano do Brasil.
A cidade vive um verdadeiro apagão ambiental. Onde antes havia sombra, vida e frescor, hoje restam concreto e abandono.
Um exemplo emblemático é a Praça dos Colonizadores.
Um local que já abrigou mais de 200 árvores, referência de convivência, natureza e identidade local. Hoje, menos de 10% da vegetação original resiste ao calor escaldante e à indiferença do poder público.
As consequências são sentidas todos os dias. Crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios enfrentam dificuldades em meio a um clima seco, com baixa umidade e temperaturas elevadas.
Árvores, que poderiam amenizar esses efeitos, foram retiradas sem reposição. E o que dizer das nascentes? Mortas, assoreadas e abandonadas, sem qualquer plano de recuperação ou proteção.
Juara sequer possui um horto florestal ou uma área urbana de preservação ambiental. Não há programa de plantio de árvores nem ações consistentes de educação ambiental. Tudo isso em um momento em que o fogo se alastra, o ar se torna irrespirável e a saúde da população é colocada em risco.
O episódio da chuva do último sábado, que causou transtornos em algumas áreas e trouxe alento em outras, serve como alerta: o clima está mudando, e nossa cidade não está preparada.
Em vez de investir em arborização, proteção de nascentes e combate ao desmatamento, seguimos pelo caminho inverso — e os efeitos são cada vez mais visíveis.
Diante desse cenário, só nos resta rezar e esperar e esperar que nossas autoridades acordem, que a população cobre, e que Juara volte a respeitar e preservar aquilo que a natureza lhe deu de mais valioso — sua água, suas árvores e sua vida.

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