NOTÍCIA | OPINIÃO
A Inversão de Prioridades: Quando a Lei Oprime o Trabalhador e Acua o Cidadão
Por Carlos Sirena: Ex-prefeito de Juara e pré candidato deputado estadual
Por:
Por Carlos Sirena
Publicado em
01 de Julho de 2026 ,
07h02
- Atualizado as 07h26
Recentemente, fomos surpreendidos por notícias alarmantes vindas de áreas de garimpo em nosso estado, agora sob o domínio de facções criminosas como o Comando Vermelho.
A apreensão de fuzis, silenciadores e a construção de verdadeiros bunkers em território mato-grossense não é apenas uma notícia policial; é um atestado de falência da segurança pública diante do avanço da criminalidade organizada.
A inversão de valores é escancarada. Se um produtor rural, que possui CPF, terra registrada e paga seus impostos em dia, comete o erro administrativo de derrubar uma única árvore ou padece em uma burocracia fundiária, o peso da lei é imediato.
A notificação chega rápido, a multa é aplicada e o sistema, implacável, sufoca quem produz o sustento deste país.
Mas, por que esse mesmo rigor é inexistente quando o assunto é o crime organizado?
É revoltante ver a devastação ambiental causada por criminosos — que destroem áreas de preservação com dragas e motores em larga escala — e perceber que a Justiça, neste caso, caminha a passos lentos.
Sabemos que existem recursos, inteligência e tecnologia para monitorar e agir contra esses invasores, mas o que vemos é uma inércia inaceitável.
Aqui, o dedo deve ser apontado para quem tem o dever constitucional de zelar pelas nossas fronteiras e áreas federais. A Segurança Federal tem falhado constantemente com Mato Grosso. A falta de um plano estratégico eficaz e a omissão das autoridades federais permitem que facções se instalem, dominem territórios e ditem as regras onde o Estado deveria ser soberano.
Defendo que a lei seja dura, sim, mas que ela seja direcionada a quem, de fato, ameaça a sociedade. Precisamos de uma Segurança Federal que deixe de lado a burocracia que persegue o CPF do produtor e foque sua artilharia contra as facções. O criminoso que se esconde atrás de um fuzil não pode ter mais direitos e menos fiscalização do que o produtor que trabalha sob a luz do sol.
Mato Grosso não pode ser o quintal de facções. Chegou o momento de cobrar dos órgãos federais uma atuação real, ostensiva e implacável contra o crime organizado. Se há recursos e poder para multar o trabalhador, que haja o triplo de força para desmantelar as facções que hoje violam a nossa soberania.
A ordem precisa ser restabelecida. E a lei, para ser respeitada, precisa, acima de tudo, ser justa.
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