NOTÍCIA | PRESIDENTE LIBERAL

Bolsonaro se filia ao PL em evento em Brasília

'Seja bem-vindo a 2022', disse o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, em discurso; cerimônia antecipa disputa para o próximo ano

Por: Sarah Teófilo, do R7, em Brasília
Publicado em 01 de Dezembro de 2021 , 06h21 - Atualizado 01 de Dezembro de 2021 as 06h30


Reprodução R7
O presidente Jair Bolsonaro se filiou ao PL (Partido Liberal), nesta terça-feira (30), em cerimônia em Brasília. A filiação consolida a aliança do chefe do Executivo com o Centrão, espectro político conhecido por se aliar ao poder, para as eleições de 2022. O governo já estava aliado com as legendas de centro, sendo hoje sua base no Congresso Nacional. O vínculo com a sigla também antecipa a disputa política do próximo ano, quando Bolsonaro tentará a reeleição.
 
"Seja bem-vindo ao PL. Seja bem-vindo a 2022", disse o presidente do PL, Valdemar Costa Neto em discurso. Ele já foi condenado no escândalo do mensalão. Antes de falar, Bolsonaro pediu que o deputado federal Marcos Feliciano (PL-SP) fizesse uma oração. Em seguida, o mandatário discursou resssaltando que o evento marca uma passagem para que possa pleitear algo na frente, e ressaltou a importância das outras legendas de centro.
 
"Aqui presentes têm outras pessoas que são excepcionais e marcaram a nossa vida. Eu vim do PP e confesso, a decisão não foi fácil. Até mesmo Marcos Pereira (deputado federal de SP, presidente nacional do Republicanos), conversei muito com ele, e uma filiação é como um casamento. Não seremos marido e mulher (disse, olhando para Valdemar Costa Neto), seremos uma família. Mas vocês todos fazem parte dessa nossa família", afirmou, referindo-se às outras legendas.
 
Bolsonaro pontuou que o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, liderança do PP (Partido Progressista), quis levá-lo para a sigla, onde já ficou por 10 anos. Ao deixar o PP, que também integra o Centrão, e depois se candidatar à Presidência, em 2018, Bolsonaro adotou o discurso de crítica ao bloco. 
 
"Ninguém faz nada sozinho, tudo pode acontecer. O futuro a Deus pertence", disse nesta terça-feira. Com um tom muito político, de olho na disputa de 2022, Bolsonaro agradeceu a confiança de Costa Neto, falou em alianças e composição. O presidente ainda citou vários nomes de aliados e onde eles podem disputar o pleito de 2022, como o do ministro da Cidadania, João Roma, para o governo da Bahia, e do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, para São Paulo.
Bolsonaro não fez críticas diretas a opositores, mas falou que seu governo conseguiu tirar "o Brasil da esquerda". "O futuro do Brasil está em nossas mãos. Tiramos o Brasil da esquerda. Olhem para onde nós estávamos indo", afirmou. Já o senador Flávio Bolsonaro (RJ), um dos seus filhos, fez um discurso mais eleitoral, com críticas diretas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e ao ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, que vai disputar a presidência pelo Podemos. 
Outras filiações
O evento desta terça-feira marcou o ato de filiação de outros aliados políticos do presidente da República. Um deles foi o senador Flávio Bolsonaro. O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, também assinou ficha de vínculo com o partido. Ao R7, ele afirmou que "a filiação é para fortalecer o projeto do presidente". "Estamos acompanhando a sua posição e à disposição para, eventualmente, sermos candidatos em nossos estados", disse o ministro, que deve pleitear cargo pelo Rio Grande do Norte.
 
O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, que também esteve no evento, afirmou que não deve se filiar ao PL ao menos nesta terça-feira. “Não. Hoje, não”, disse o ministro ao ser questionado pelo R7 se também ingressaria na sigla, a exemplo de Bolsonaro, sem dar detalhes sobre uma possível filiação ao partido em outra data.
 
A filiação do presidente inicia articulação em torno também dos seus ministros. O senador Wellington Fagundes (PL-MT) afirmou que o partido pretende filiar ao menos cinco chefes de pastas do governo Bolsonaro. Ele se referiu aos ministros Onyx (Trabalho e Previdência), Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Marcelo Queiroga (Saúde), Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Gilson Machado (Turismo).
 
Onyx confirmou que vai se filiar à sigla e que será candidato ao governo do estado do Rio Grande do Sul. "Está decidido", disse. Tarcísio é uma das apostas do presidente para concorrer ao governo do estado de São Paulo. A candidatura ao Palácio dos Bandeirantes foi um dos pontos de negociação para a filiação de Bolsonaro ao PL.
 
 
Líder do PL na Câmara, Wellington Roberto (PB) disse acreditar que com a ida do presidente ao partido, deve aumentar o número de parlamentares da bancada em mais 20 ou 30.
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