'Interceptações clandestinas foram usadas para fins eleitorais', diz cabo da PM à Justiça sobre grampos em MT

Escritório para escutas ilegais teria sido financiado pelo ex secretário-chefe da Casa Civil e primo do governador de MT para espionar adversários políticos.

Por: Lidiane Moraes, G1 MT
Publicado em 30 de Julho de 2018, 07h13 - Atualizado 30 de Julho de 2018 ás 07h18


Cabo da Polícia Militar Gerson Correa Júnior (Foto: TV Centro América)

Em depoimento à Justiça nessa sexta-feira (27), o cabo da Polícia Militar Gerson Correa Júnior disse que foi até o escritório do advogado Paulo Taques, primo do governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), e recebeu dele uma mala com R$ 50 mil.

A defesa do advogado Paulo Taques nega as acusações e informa que se pronunciará nos autos.

Segundo ele, o dinheiro seria para custear equipamentos com a finalidade de grampear adversários políticos de Pedro Taques, que na época era candidato ao governo.

Durante o depoimento, o juiz o interrompeu e fez questionamento sobre o objetivo do escritório clandestino. Gerson enfatiza que, durante a conversa com Paulo Taques, ficou claro que era para fins políticos.

Ainda segundo o cabo, além do dinheiro já entregue, ficou entendido durante a conversa com Paulo Taques, que todas as despesas com o suposto esquema de grampos seriam custeadas pelo primo do governador.

Para o Ministério Público Estadual (MPE), ficou evidente o caráter político das interceptações.

“Ficou caracterizado a criação de um escritório clandestino para escutas ligadas a adversários políticos e que as interceptações eram direcionadas para este fim”, disse o promotor Allan Sousa.

Depois das declarações feitas pelo cabo Gerson, o advogado de defesa dele, diz que vai pedir proteção policial para o PM.

“Ele não tem nenhuma arma. E ele mesmo disse que teme pela vida dele e da família”, relatou Neymann Monteiro.

A denúncia

O promotor de Justiça Mauro Zaque, que comandou a Secretaria de Segurança Pública em 2015, denunciou o caso à Procuradoria-Geral da República, afirmando que havia alertado o governador Pedro Taques sobre a existência de um "escritório clandestino de espionagem" por meio de dois ofícios. O primeiro chegou a ser enviado para o Ministério Público Estadual (MPE), mas a investigação foi arquivada por falta de provas.

À época, o governador alegou não ter recebido o documento, que teria sido protocolado na Casa Civil, mas cancelado no mesmo dia e substituído por outro, conforme apontado por auditoria realizada pela Controladoria Geral do Estado.

Porém, em nota emitia neste sábado (28), o governador informa que determinou a apuração de todos os fatos relacionados a supostas escutas telefônicas clandestinas assim que a denúncia chegou ao conhecimento dele, em 2015.

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