Polícia Civil cumpre 94 mandados de prisão e sequestra bens de facção criminosa em MT

Entre as medidas cautelares estão o bloqueio judicial de 80 contas correntes, sequestro de uma fazenda no município de Salto do Céu, duas casas e um terreno em Cuiabá, dois caminhões e cinco automóveis.

Por: Assessoria | PJC-MT
Publicado em 09 de Agosto de 2018, 07h34 - Atualizado 09 de Agosto de 2018 ás 07h49


Lenine Martins/Sesp-MT

Uma megaoperação da Polícia Judiciária Civil foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (08.08), para cumprimento de 94 mandados de prisão preventiva contra membros de uma facção criminosa instalada no Estado de Mato Grosso.Também são cumpridos 59 mandados de busca e apreensão domiciliar, 80 ordens judiciais de bloqueios de contas correntes, além de sequestro de bens (veículos, joias, imóveis) e valores. Ao todo são 233 ordens judiciais decretadas para operação. 

A operação denominada “Red Money” é coordenada pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil juntamente com a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), com apoio da Gerência de Operações Especiais (GOE), da Diretoria de Interior - núcleos de inteligência das Delegacias das Delegacias de Cáceres, Barra do Garças, Água Boa, Juína, Sinop, Primavera do Leste, Rondonópolis, Tangará da Serra, Guarantã do Norte, Pontes e Lacerda) -, Núcleos de Inteligência da Delegacia Especializada de Entorpecentes (DRE) e Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automotores (Derrfva), além de colaboração da Polícia Civil dos estados do Pará e Mato Grosso do Sul.

A ação conta também com o apoio da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e do Centro Integrado de Operações Aéreas (CIOPAer).

A investigação iniciada há mais de 15 meses busca apreender patrimônio e descapitalizar a principal facção criminosa, cujas lideranças estão no maior presídio de Mato Grosso, a Penitenciária Central do Estado (PCE). Segundo a apuração, a organização desenvolveu internamente um sistema de arrecadação financeira próprio, criando assim um grande esquema de movimentação financeira e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas de fachadas, contas bancárias de terceiros, parentes de presos, entre outros.

Por meses, os analistas estudaram o sistema de arrecadação financeira da facção criminosa descobrindo três fontes principais de recursos: 1. Mensalidade paga pelos faccionados, chamadas de “camisa”; 2. Cadastramento e mensalidades pagas por traficantes ou por cada ponto de venda de droga, conhecidas por “biqueiras”; e 3.  Cobrança de “taxa de segurança” de comércios (extorsão de comerciantes).

“A Polícia Civil entendeu a necessidade de atuar de forma a combater a lavagem de dinheiro. Esses presos, ainda recolhidos no Sistema Penitenciário, voltam a delinquir e comandam diversos crimes do lado de fora”, disse o delegado geral da Polícia Civil, Fernando Vasco.

A operação “Red Money” mobilizou 520 policiais civis (98 delegados, 350 investigadores, 102 escrivães) para o cumprimento de mais de 230 ordens judiciais. Dos 94 mandados de prisão, 29 alvos já estão presos em presídios de Mato Grosso e 1 no Pará. Do lado de fora são procurados 51 suspeitos na região metropolitana e 11 no interior do Estado (Rondonópolis, Sinop, Nova Olímpia, Sorriso, Peixoto de Azevedo, Guarantã do Norte e Poconé). Outros dois alvos terão os mandados cumpridos fora de Mato Grosso. São dois suspeitos no Estado do Pará (um preso no Presídio de Tucuruí e um solto na cidade de Jacundá) e um suspeito solto em Campo Grande (MS).

Entre as medidas cautelares estão o bloqueio judicial de 80 contas correntes, sequestro de uma fazenda no município de Salto do Céu, duas casas e um terreno em Cuiabá, dois caminhões e cinco automóveis.

As ordens judiciais foram deferidas pelo juiz de direito, Marcos Faleiros da Silva, da 7ª Vara Criminal - Vara Especializada do Crime Organizado.

Sistema de Arrecadação

O sistema de arrecadação financeira da facção investigada na operação “Red Money” assume formato de pirâmide. No topo está o núcleo de liderança e na base dezenas de contas bancárias, com movimentação menor, que fazem a captação de dinheiro, e, gradativamente, repassam às contas maiores.

O delegado Luiz Henrique de Oliveira, Coordenador de Inteligência da Polícia Civil, disse que a deflagração da operação corresponde ao fechamento de uma etapa importante da investigação e agora iniciará um trabalho mais técnico, de análise dos documentos apreendidos, interrogatórios, oitiva de testemunhas, identificação de outros suspeitos

Conforme ele, além das prisões, o objetivo principal é a apreensão do patrimônio e descapitalização da organização criminosa. “A operação Red Money indica que a Polícia Judiciária Civil avançou um degrau na forma de se combater as facções criminosas no Estado, precisamos focar no aspecto financeiro e patrimonial para enfraquecer essas organizações criminosas”, frisou.

O delegado da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Diogo Santana, chamou atenção para o fato de que várias pessoas forneceram conta bancária para que fosse movimentado dinheiro ilícito, e, agora, terão que informar a mando e interesse de quem fizeram isso. “Qualquer pessoa que empresta sua conta bancária para movimentar valores ilícitos pode incidir no crime de lavagem de dinheiro”, afirmou.

Coletiva de Imprensa

Outros detalhes da operação serão apresentados, às 14 horas, em coletiva de imprensa no auditório da sede da Polícia Judiciária Civil (Avenida Coronel Escolástico, bairro Bandeirantes), com a presença do secretário de Segurança, Gustavo Garcia, do delegado geral da PJC, Fernando Vasco, o diretor de Inteligência, Juliano Carvalho, o coordenador de Inteligência, Luiz Henrique de Oliveira, o delegado titular do GCCO, Diogo Santana, e outros.

A investigação da operação “Red Money” desmontou um engenhoso esquema de arrecadação de dinheiro desenvolvido pela principal facção criminosa do Estado, cujos capitais são oriundos de pagamento de mensalidade de faccionados e traficantes e taxas de falsa segurança em comércios. Outra fonte de renda vem de crimes articulados de dentro dos presídios como roubos e furtos de veículo e agências bancárias, tráfico de drogas, estelionatos diversos (...).

A operação já cumpriu 83 mandados de prisão. Para a ação policial, deflagrada nesta quarta-feira (08), pela Polícia Judiciária Civil, sob a coordenação da Diretoria de Inteligência e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), a Justiça expediu mais de 230 ordens judiciais, sendo 94 mandados de prisão preventiva, 59 buscas e apreensão, 80 ordens judiciais de bloqueios de contas correntes, além de sequestro de bens (veículos, joias, imóveis urbanos e rurais) e valores.

No período de um ano e meio (01/06/2016 a 18/01/2018), entre entradas e saídas de 44 contas investigadas na operação, foram identificados movimentação de aproximadamente R$ 52 milhões.

Segundo a investigação, a facção arrecada por mês cerca de R$ 170 mil e mais de 1,2 milhão, por ano, com as mensalidades pagas pelos faccionados, fora outras fontes de sustentabilidade da facção criminosa.

O montante é usado no enriquecimento ilícito das principais lideranças com a compra de veículos de alto valor, propriedades rurais e urbanas. Carros luxuosos são ostentados pelas mulheres das lideranças, que são bancadas com o dinheiro da atividade criminosa.

No alto escalão financeiro da facção estão: Francisco Soares Lacerda (Brasília) e Jonas Souza Gonçalves Junior (Batman), sendo este último dono da empresa JJ. Informática, constituída com fins de lavagem do dinheiro das ações criminosas. Os dois, assim como outras lideranças e colaboradores, tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos hoje na operação Red Money.

São 94 mandados de prisão (30 alvos estão dentro de presídios), 59 mandados de busca e apreensão e 80 ordens judiciais de bloqueio de contas correntes, e outras medidas cautelares de sequestro de bens e valores (1 fazenda no município de Salto do Céu, 2 casas e 1 terreno em Cuiabá, 2 caminhões e 5 automóveis), interdição de duas empresas. As ordens foram deferidas pelo juiz de direito, Marcos Faleiros da Silva, da 7ª Vara Criminal - Vara Especializada do Crime Organizado.

De acordo com o delegado geral da Polícia Judiciária Civil, Fernando Vasco, foi necessário mudar a estratégia de combater os faccionados, não somente prendendo-os, mas também descapitalizado as organizações criminosas, com bloqueio de bens e valores, e, assim, desestruturando sua base financeira.

“Fazemos a repressão qualificada diariamente pelas unidades da capital e do interior. Mas a prisão se mostrou insuficiente para fazer com que esses indivíduos deixassem de praticar crimes. Temos que agir contra o patrimônio dessas facções e com essa operação avançamos um degrau no combate ao crime organizado”, ressaltou.

O secretário de Estado de Segurança, Gustavo Garcia, lembrou a repressão qualificada desenvolvida pelo sistema de segurança pública de Mato Grosso, sedimentada no enfrentamento técnico e especializado das instituições.

“Esta operação demonstra a força do nosso sistema de segurança pública, que de forma integrada, planejada e com apoio da atividade de inteligência, vem dando resposta as ações realizadas por facções criminosas. Este enfrentamento técnico e especializado é imprescindível para redução dos índices de criminalidade no Estado, sobretudo, os praticados mediante emprego de violência, como os roubos e homicídios”, disse.

O diretor de Inteligência da Polícia Judiciária Civil, Juliano Carvalho, destaca a importância do trabalho desenvolvido pelo Laboratório de Tecnologia de Combate a Lavagem de Dinheiro da PJC ao longo de toda a operação. “Para alcançar eficácia na repressão à criminalidade é fundamental atacar a base financeira das organizações criminosas, agindo com a apreensão de veículos, arresto (sequestro) de contas bancárias, joias e imóveis urbanos e rurais (fazendas).

O trabalho do laboratório não se restringe a crimes de corrupção ou organização criminosa, mas também auxilia os trabalhos investigativos de diversas modalidades criminosas, como delitos de estelionato, furto, tráfico de drogas, roubo, entre outros, buscando a recuperação de ativos financeiros adquiridos de forma ilícita.

Parcial da operação

Até o momento, a operação que está em andamento, contabiliza 58 veículos apreendidos (automóveis, caminhonetes, motocicletas e caminhões), além de joias, R$ 51 mil, em espécie e R$ 305 mil em cheques. As apreensões, ocorridas tanto na região metropolitana quanto no interior, ainda estão sendo contabilizadas para divulgação posterior.

Apoio

A operação denominada “Red Money” é coordenada pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil juntamente com a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), com apoio da Gerência de Operações Especiais (GOE), da Diretoria de Interior - núcleos de inteligência das Delegacias das Delegacias de Cáceres, Barra do Garças, Água Boa, Juína, Sinop, Primavera do Leste, Rondonópolis, Tangará da Serra, Guarantã do Norte, Pontes e Lacerda) -, Núcleos de Inteligência da Delegacia Especializada de Entorpecentes (DRE) e Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automotores (Derrfva), além de colaboração da Polícia Civil dos estados do Pará e Mato Grosso do Sul.

A ação conta também com o apoio da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e do Centro Integrado de Operações Aéreas (CIOPAer).


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