"Onde está a propina de R$ 80 milhões? Quem recebeu?"
"Onde está a propina de R$ 80 milhões? Quem recebeu?"
O ex-secretário da Secopa Eder Moraes desqualificou a denúncia feita pelo lobista e ex-assessor do governo Rowles Silva, de que o consórcio vencedor da licitação do VLT (Veículo Leve sobre Trilho) teria pago propina de R$ 80 milhões a integrantes do governo do Estado. Segundo o valor é facilmente rastreável pelo sistema financeiro nacional.
“Falar em propina é fácil. Disseram que foram pagos R$ 80 milhões... Então cadê esse dinheiro? Quem recebeu? Onde recebeu? Cadê o recurso? Transitou por onde? Cabe a quem acusa o ônus da prova. Eu quero saber onde estão os R$ 80 milhões, para onde foi. Esse valor é facilmente rastreável no sistema financeiro nacional. Essa história não faz muito sentido”, disse Eder.
Para ele, o lobista provavelmente fez a denúncia por ter tido interesses contrariados. "O descontentamento de Rowles é, justamente, a maior prova da lisura do processo. Se tivessem atendido qualquer coisa que não fosse republicana, talvez não tivesse aflorado esse descontentamento dele”, pontuou.
Segundo Eder, a implantação do VLT em Cuiabá e Várzea Grande está contrariando diversos setores da economia, que poderiam estar trabalhando, nos bastidores, contra o modal.
“Interesses econômicos estão sendo contrariados, e não é em um ato de curto prazo. É um planejamento de longo prazo, nesses setores da economia brasileira. Pneumáticos, combustíveis, biocombustível, auto-peças, fábrica de chassis. Tem uma série de coisas por trás disso”, afirmou.
“Eu não estou acusando formalmente porque não tenho provas. Mas as evidências nos levam a isso, a vislumbrar esse movimento contra o VLT”, apontou.
Reuniões
O ex-secretário admitiu que teve reuniões com Rowles Silva - e que não vê problemas neste fato. “Eu nunca recebi o Rowles na condição de lobista. Eu recebi o Rowles sempre na condição de doador de um projeto. O custo desse projeto não é problema meu. É problema de quem doou. De graça, até injeção na testa”, disse.
Rowles foi quem intermediou a doação do projeto básico do VLT, feito pela estatal portuguesa Ferconsult. O banco Infinity foi quem bancou a despesa, na ordem de R$ 13 milhões.
Segundo Eder, o interesse de Rowles era desdobrar o investimento no VLT em negócios no mercado financeiro.
“Cessão de direitos creditórios, antecipação de recebíveis e novas oportunidades de negócios para fabricantes e indústrias. Ou seja, é um grande pacote de investimentos. Então, nessa condição, eu recebia qualquer um nesse país que quisesse investir em Mato Grosso”, disse.
Eder assegurou que "não tem nada a esconder" e irá se esquivar de responder aos questionamentos de qualquer órgão que o convocar – como a Assembleia Legislativa e o Ministério Público.
“Quem está escondendo é porque fez coisa errada. Eu não fiz nada errado. Meu sigilo bancário, fiscal e telefônico estão à disposição. Na hora que me acusarem de algo formalmente, vou tomar as providências judiciais contra quem quer que seja”, afirmou.
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