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Juara tem vários orelhões instalados na cidade e no interior, que serão retirados pela Anatel

A maioria dos aparelhos estão instalados na cidade, mas nenhuma deles ainda está em funcionamento

Por: Aparicio Cardozo - Show de Notícias
Publicado em 29 de Janeiro de 2026 , 16h39 - Atualizado 30 de Janeiro de 2026 as 05h22


Show de Notícias

O ano de 2026 marca oficialmente o fim de uma era no Brasil. Os tradicionais orelhões — telefones públicos que, por décadas foram símbolo de comunicação e acesso para milhões de brasileiros — começarão a ser retirados definitivamente das ruas do país a partir de janeiro.

Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda existem cerca de 38 mil telefones públicos instalados em todo o território nacional, número que já foi muito maior nas décadas passadas.

Com o avanço da telefonia móvel e da internet, esses aparelhos tornaram-se obsoletos e cada vez mais raros.

Em Juara, a realidade reflete esse cenário nacional. A reportagem do Show de Notícias realizou uma verdadeira peregrinação pela cidade em busca de orelhões que ainda resistem ao tempo.

Após percorrer diversos pontos pesquisando, conversando com pessoas, localizamos vários aparelhos instalados em Juara e no interior do município.

Um dos aparelhos mais conservados está instalado na Rua Anita Garibaldi, em frente ao antigo PAM, é um modelo mais moderno, já operado por cartão telefônico, substituindo os antigos sistemas por fichas metálicas.

Com a ajuda de leitores do Show de Notícias, outros orelhões foram localizados em pontos estratégicos da cidade, como na Avenida Brasil, no Bairro Jardim América, em frente a Escola Luiz Nunes Bezerra, no distrito de Catuaí, na lanchonete da Ponte do Rio dos Peixes, em Itapaiúna, outro em um bar na MT 160, estrada de Alta Floresta.

Outros ainda poderão ser localizados, contamos com a sua ajuda.

Na escola estadual Cecilia Castro Barbosa, no Jaú, não existe orelhão, mas uma espécie de PS, Posto de Serviço, instalado em uma pequena sala, no pátio da escola.

Os orelhões carregam uma forte carga histórica. Além de realizar chamadas, os orelhões possuíam número próprio e, também, recebiam ligações, sendo muito comuns as chamadas a cobrar.

Durante muitos anos, era comum que famílias combinassem horários, especialmente aos domingos e feriados, para conversar com parentes distantes. Em alguns casos, moradores que viviam em frente aos orelhões assumiam a responsabilidade de anotar recados e chamar os interessados quando a ligação chegava.

Até namoros iniciavam e se fortaleciam, com o uso dos orelhões, instalados em várias cidades do Brasil.

Nos primeiros anos do rádio em Juara, os telefones públicos também tiveram papel importante na comunicação comunitária.

Agora, com a retirada definitiva dos últimos aparelhos pela Anatel, os orelhões se despedem das ruas e permanecem apenas na memória de quem viveu uma época em que uma ligação dependia de fichas, cartões e muita paciência — mas também de encontros, histórias e saudade.

Era por meio deles que ouvintes enviavam mensagens, pediam músicas, faziam avisos e interagiam com as emissoras locais, como o caso da Dona Rita Andrade da Silva, ex-moradora da comunidade de Catuaí.

“O orelhão foi muito importante para todos, naquela época era para todo mundo. Era o que socorria a gente, numa hora de precisão, para ligar para alguma coisa, ligar para os familiares, que nem eu saía para Cuiabá, com meu esposo Máximo para tratamento de saúde dele. Era com o que eu me valia para ligar para as meninas. Depois ali na Catuaí, era para ligar para pedir música na rádio, para tudo na vida, era aquele orelhão ali. A gente não saía de lá. Então, uma coisa que vai acabar, mas para mim valeu muito. Valeu a pena os orelhões que funcionavam. Porque se não fossem eles, a gente não tinha notícia das coisas”. Disse a senhora.

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