MPF denuncia ex-delegado que teria caído com avião e desaparecido no interior de Juara e mais 32 pessoas.
A Polícia Civil e os Bombeiros foram no local e não localizaram nada além a aeronave queimada.
O desdobramento da investigação envolve Arnaldo Agostinho Sottani, apontado nas denúncias como comprador e financiador oculto do avião usado por uma estrutura criminosa.
Ele desapareceu em novembro de 2025, e familiares informaram que ele teria morrido num acidente aéreo na cidade de Juara em Mato Grosso.
A investigação, entretanto, não localizou registros oficiais do voo, destroços, corpo ou outros elementos que confirmassem o suposto acidente.
Dias antes do desaparecimento, o investigado havia outorgado procuração com amplos poderes para a administração e a transferência de seus bens.
Diante das circunstâncias, o MPF passou a investigar a hipótese de simulação da própria morte, requereu a prisão preventiva e a inclusão do nome do investigado na Difusão Vermelha da Interpol.
Arnaldo Sottani era delegado da Polícia Civil em Mato Grosso e acabou demitido da instituição em março de 2014 após prisões por envolvimento com o tráfico de drogas e roubo de gado.
Em 2016, ele foi baleado na perna ao ser preso com cerca de 150 quilos de cocaína num avião monomotor no município de General Carneiro. Em um dos casos, em março de 2021, Sottani foi preso em Minas Gerais com R$ 260 mil que seriam usados na compra de um avião para traficantes.
A ocasião, ele revelou que tinha sido procurado por membros de uma organização criminosa para uma contratação no valor de R$ 500 mil.
A fase ostensiva da Operação Rota Andina foi deflagrada em 12 de maio de 2026, com o cumprimento de mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens em Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Amazonas, Rio Grande do Norte, Maranhão e Distrito Federal.
Durante as diligências, foram apreendidos aparelhos celulares, computadores, documentos, dinheiro, joias, relógios e veículos de luxo, de alto valor.
Ainda estão em andamento perícias em equipamentos eletrônicos, avaliações patrimoniais, cruzamentos de informações bancárias, fiscais e contábeis e outras diligências que poderão identificar novos envolvidos e revelar infrações penais ainda não abrangidas pelas denúncias oferecidas.
Com o surgimento de novos elementos, o MPF poderá apresentar novas denúncias, promover aditamentos às acusações já formuladas ou adotar outras medidas nos próximos desdobramentos da Operação Rota Andina.
As denúncias já apresentadas serão analisadas pela Justiça Federal. Aos denunciados são assegurados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.
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