Mulher presa por confessar morte do filho é encontrada morta em cela da Delegacia de Juara
Até o momento, os restos mortais da criança ainda não foram localizados.
Uma mulher que estava presa preventivamente após confessar ter matado o próprio filho, um menino de 1 ano e 8 meses, na época do crime, foi encontrada morta na tarde desta sexta-feira (17) em uma cela provisória da Delegacia da Polícia Judiciária Civil de Juara.
A informação foi confirmada pelo delegado titular da Delegacia de Polícia Civil de Juara, Carlos Henrique Engelmann, durante entrevista à imprensa.
Segundo o delegado, a mulher estava custodiada na unidade policial desde quarta-feira, após a Justiça decretar sua prisão preventiva a pedido da Polícia Civil.
Por volta das 15h, após ouvirem choro alto, seguido de um silencio sepulcral, os policiais foram até a cela onde ela permanecia presa e a encontraram sem vida.
De acordo com o delegado, a suspeita utilizou um cobertor fornecido para uso o período noturno para cometer suicídio por enforcamento.
Investigação começou após ação judicial
As investigações tiveram início depois que o Poder Judiciário comunicou à Polícia Civil a existência de um processo de prestação de alimentos e regulamentação de visitas movido pelo pai da criança.
Durante a tramitação do processo, foi constatado que o menino estava desaparecido havia cerca de dois anos e meio. Questionada, a mãe e familiares não souberam informar o paradeiro da criança, o que motivou a instauração de um inquérito policial.
Na última quarta-feira, a mulher compareceu à delegacia e, inicialmente, afirmou ter entregado o filho para uma pessoa desconhecida, que supostamente residiria em Campinas (SP).
Após diligências, os investigadores concluíram que a versão apresentada não era compatível com os fatos.
Confissão
Em novos depoimentos, acompanhados por seu advogado, a mulher confessou que havia enterrado a criança em uma cova rasa nos fundos do sítio onde morava com a família, em Juara.
Posteriormente, durante interrogatório formal, ela também confessou que matou o filho por asfixia utilizando um saco plástico, antes de enterrar o corpo.
Desde quarta-feira, equipes da Polícia Civil e Corpo de Bombeiros realizam escavações na área indicada pela investigada.
Até o momento, os restos mortais da criança ainda não foram localizados.
Conforme o delegado, as buscas são dificultadas porque a suspeita não conseguiu indicar com precisão o local do sepultamento, além de a área ser de mata, com solo lodoso e pantanoso.
Possível motivação
Segundo Carlos Henrique Engelmann, durante as entrevistas a mulher apresentou diferentes justificativas para o crime.
Peritos da Politec de Juína foram acionados para fazer as primeiras investigações do local onde a mulher estava quando tirou a própria vida.
Ela teria relatado que o homicídio estaria relacionado a conflitos com o pai da criança, motivados por supostas traições, hipótese que levou os investigadores a entenderem que ela teria buscado atingir emocionalmente o genitor.
Em outros momentos, afirmou que não tinha condições de criar o menino ou que poderia tê-lo entregue para adoção.
O delegado também relatou que a mulher apresentava comportamento considerado incompatível com a gravidade dos fatos, alternando momentos de intenso choro com declarações detalhadas sobre o crime.
Diante dessas circunstâncias, a Polícia Civil pretendia submetê-la a avaliação médico-legal para verificar eventual transtorno mental, procedimento que não será mais possível em razão de sua morte.
Buscas continuam
Mesmo após a morte da investigada, a Polícia Civil informou que as buscas pela localização do corpo da criança continuarão.
O delegado destacou que os elementos colhidos durante a investigação reforçam a credibilidade da confissão quanto ao local onde o menino teria sido enterrado.
Ao final da entrevista, Carlos Henrique Engelmann fez um apelo para que familiares e a sociedade comuniquem imediatamente às autoridades o desaparecimento de crianças.
"Quanto antes a Polícia é acionada, maiores são as chances de esclarecer os fatos e localizar a vítima", ressaltou o delegado.
A Polícia Civil dará continuidade às investigações para localizar os restos mortais da criança e concluir o inquérito policial.
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