PMs invadem casa, espancam jovem e ameaçam forjar tráfico para obter delação
Toda a ação, segundo a jovem, aconteceu na frente do filho de três anos e da avó, uma idosa acamada.
Uma jovem de 23 anos denunciou ter sido agredida por um policial dentro da própria casa, no bairro Novo Horizonte, em Cuiabá, após uma ação da Polícia Militar na região. Segundo Thaina Alvares, estudante de Direito, o agente apontou uma arma para sua cabeça, quebrou seu celular, a agrediu diante do filho de 3 anos e ainda ameaçou colocar drogas contra ela para que fosse presa por tráfico.
O episódio teria ocorrido entre a noite de domingo (9) e a madrugada de segunda-feira (10). Thaina publicou um vídeo nas redes sociais relatando o caso e afirmou que já procurou a Corregedoria para formalizar a denúncia.
Segundo a jovem, por volta das 23h40, ela acordou assustada com o barulho de tiros e percebeu luzes dentro do quintal da residência. Ao chegar à janela da sala, disse ter visto policiais dentro do terreno.
Thaina contou que, pouco depois, um dos agentes abriu a janela da residência e, aos gritos e com palavrões, mandou que ela abrisse a porta. A jovem afirmou que estava no banheiro passando mal e pediu alguns segundos. Conforme o relato, o policial respondeu que não queria saber e começou uma contagem regressiva para que ela abrisse a casa.
Ao abrir a porta e caminhar em direção aos policiais, Thaina afirma que foi surpreendida por um agente apontando uma arma para sua cabeça e ordenando que colocasse as mãos sobre ela.
Segundo a jovem, ela questionou a abordagem por estar dentro da própria residência. Na sequência, o policial teria atingido sua mão, derrubado e quebrado o celular e começado a agredi-la. “Foi quando ele bateu na minha mão, derrubou meu celular e quebrou e começou a me bater até chegar dentro da minha casa”, relatou.
Já dentro do imóvel, segundo Thaina, o agente passou a exigir nomes de pessoas supostamente envolvidas com o tráfico de drogas na região. Ela afirmou que não sabia responder e explicou que trabalha, estuda, cuida do filho e auxilia a avó.
“Ele me pediu nomes. Nomes de quem? Eu não sabia. Não é o meu trabalho saber. Eu acordo às 5 horas, chego em casa às 11 horas, eu estudo, trabalho, tenho um filho de 3 anos”, disse.
Thaina relatou ainda ter sofrido um ferimento na parte interna da boca em razão das agressões. No vídeo, ela diz que o corte dificultava sua fala.
Segundo a jovem, mesmo após insistir que desconhecia qualquer movimentação criminosa na região, o policial passou a questioná-la sobre uma pessoa que estaria em frente à casa e que supostamente comercializava drogas.
Ao dizer novamente que não sabia de nada, Thaina afirma ter ouvido uma ameaça ainda mais grave. “Ele me ameaçou falando que jogaria droga em mim e que eu iria ser presa por tráfico”, afirmou.
Abalada, Thaina afirmou que nunca havia sofrido agressões físicas e questionou a postura de um agente público que, segundo ela, deveria estar no local para garantir segurança.
“Eu apanhei de uma pessoa que deveria me proteger. Eu nunca apanhei. Eu nunca levei um tapa na minha cara, nem da minha mãe, do meu pai.”
No relato, ela também criticou a cobrança para que moradores forneçam informações sobre atividades criminosas no bairro. “Eu já fui até a Corregedoria, eu já fiz as denúncias necessárias e eu vou atrás, sim, de quem fez isso comigo. Eu quero justiça porque eu fui agredida na frente do meu filho.”
A jovem também relatou consequências psicológicas após o episódio. Disse que passou praticamente três dias sem dormir e que passou a sentir medo ao ver viaturas.
“Tenho medo de andar na rua, de ver um carro da polícia e eu simplesmente entrar em pânico”, afirmou.
Toda a ação, segundo a jovem, aconteceu na frente do filho de três anos e da avó, uma idosa acamada.
O OUTRO LADO
A Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Mato Grosso informa que recebeu a denúncia, nesta terça-feira (11), e que abriu procedimento para identificação dos policiais envolvidos na ocorrência e completa apuração dos fatos com máximo rigor.
A PMMT reforça que não coaduna com abuso de autoridade, violência e nenhum outro tipo de crime cometido por parte de seus integrantes.
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